sábado, 4 de janeiro de 2014

Ativistas ambientalistas

Quando se ouve notícias como a dos ativistas do Greenpeace na Rússia, onde Vladimir Putin se mostrou extremamente sério com alguns, como a brasileira Ana Paula Maciel, que foi presa, logicamente, o que exatamente você pensa? Estão os ativistas com razão, ou isso é só uma justificativa para um aumento desnecessário e ineficaz do estado e, por conseguinte, a anulação do indivíduo?


OK, os ativistas tem sua filosofia, de que o consumo de recursos naturais pode ser grande demais para a Terra, e talvez eles até estejam certos, o problema é que eles não sabem o ritmo de consumo de recursos comparado ao nível tecnológico, que reflete diretamente na produção.

Deve-se começar falando primeiro que o desenvolvimento tecnológico sempre vai resultar em um número maior de produção de qualquer que seja o produto, seja o desenvolvimento técnicos em termos de tecnologia (com avanços científicos, que são os principais motivos de revolta de ambientalistas) ou estratégia de produção (como a linha de produção de Henry Ford).

A tecnologia é apenas uma ferramenta para obter o que é necessário, afinal, temos um mercado consumidor mundial extremamente exigente e volumoso. Com um mercado tão vasto, é necessário que haja tecnologia para aproveitar ao máximo os recursos que temos no mundo, para aproveitar mais os alimentos. Tentando acabar com o desenvolvimento tecnológico, acabam com o aproveitamento de recursos, e assim, mais recursos passam a ser necessários para atender um número de pessoas que seria atendido com muito menos caso tenham auxílio do desenvolvimento tecnológico.
Tentar acabar com o desenvolvimento tecnológico é tentar acabar com aproveitamento de recursos, causando escassez de alimentos para o mundo.

As estratégias de produção são mais simples de entender por que ajudam em abastecimento populacional, e elas muito provavelmente são as responsáveis pela ação de ativistas ambientalistas, porque elas que aceleram o ritmo de produção, que precisa ser cada vez maior para atender à demanda da gigantesca população mundial. Mas, ao invés disso, eles atacam justamente o que diminui o uso de recursos: o desenvolvimento tecnológico.
Ou seja, o que realmente é o motivo de revolta dos ativistas é o que eles não atacam: a demanda. Eles não percebem que eles são parte da demanda e, naturalmente, são responsáveis pelo que criticam indiscriminadamente.
Em suma, os quesitos de técnicas e recursos pode ser resumido com um simples gráfico:



Então podem até falar: "então temos que diminuir a população mundial", mas eu venho com um simples exemplo de violação de liberdades. Pensando assim, das duas uma: ou você proíbe as pessoas de terem filhos, ou você faz uma série de assassinatos.
Podem também falar que "animais estão sendo usados, e muitos estão sendo extintos", mas isso é simples de mostrar que além de algo natural, é uma falácia. Além de ser deveras falho, esse argumento conta como se as pessoas não quisessem consumir o que esses animais têm e, naturalmente, para consumi-los, eles precisam desse animal vivo.
Por exemplo: baleias. Caso o consumo de carne de baleias fosse liberado em todos os países do mundo, o mercado querendo carnes de baleia ia exigir que houvessem produtores dela, então baleias seriam criadas em propriedades privadas para atender esse mercado, e não entrariam em extinção. Isso vale para todos os outros casos desse tipo.
Outro exemplo: a criação do flash drive (vulgo pen drive). O número de disquetes que eram usados antes da existência dele para ter a capacidade de um único flash drive de 1 GB era gigantesco, e a produção de um disquete envolvia muito mais poluentes do que o flash drive, como uma espécie de plástico dentro, ímãs, e vários outros materiais. Além disso, ainda há os cartões de memória, que, além de minúsculos, hoje já têm capacidade maior que a dos flash drives. Isso sem falar nas pilhas de papel que foram salvas com a digitalização.

O Dr. Mark J. Perry, da Universidade de Michigan, fez um interessante estudo que mostra dois países próximos que adotaram políticas diferentes acerca da preservação de elefantes. Ele mostrou bem que os animais ficam mais bem protegidos se as áreas onde eles estão tiverem donos. E donos humanos. Os países são Zimbábue e Quênia.
O Quênia fez o que quase qualquer outro país faria: deixou suas reservas florestais estatizadas e proibiu a caça aos elefantes. O resultado foi que os elefantes quase foram extintos, já que as reservas, sendo do Estado, acabam sem donos e, sem donos, não há como fiscalizar o que acarreta numa caça indiscriminada do paquiderme, o que levou à sua extinção. Já o Zimbábue "privatizou" suas reservas, que ficaram sob o cuidado dos cidadãos das aldeias que se situavam nelas. Coube a eles se proibiam a caça de elefantes ou não. A maioria permitiu em troca de pagamentos por cabeças caçadas. Como isso passou a ser lucrativo, houve estímulo a preservar animais. O resultado foi um aumento exponencial da população de elefantes.

Conclui-se, portanto, que os ambientalistas não sabem o que atacar, porque, se soubessem, atacariam o intervencionismo e a ausência de produção e desenvolvimento tecnológico.

9 comentários:

  1. Ótimo texto, parabéns aí cara

    ResponderExcluir
  2. Eu queria que você explorasse um pouco melhor esse exemplo das baleias. Como se daria a criação das mesmas? Em gigantescos aquários, como no Sea World? Essas instalações, bem como a manutenção da criação, não exigiriam um investimento milionário por parte do investidor, visto que para comportar cada baleia precisamos de espaço e volume d'água enormes? E a enorme quantidade de comida que ela consome? Como esse produtor poderia competir contra os que adquirem carne de baleia através da caça? Para mim, está evidente que o mercado só permitiria o ingresso desse produtor quando houvesse uma escassez tão severa de baleias em seu habitat natural que tornasse sua caça nos mares uma espécie de 'caça ao tesouro'. O preço excessivo da carne de baleia tornaria este um animal extremamente raro, até mesmo nos tanques, já que pouquíssimos teriam condições de comprá-la.

    Antes que você diga que a criação de baleias em tanques não é assim tão inviável, visto o exemplo do Sea World, eu de antemão já te adianto que o fato de eles manterem as baleias vivas e não venderem sua carne permite lucrar com cada espécime durante dezenas de anos, o que faz com que se possa cobrar um preço mais ou menos acessível para a população acessar o parque. Isso não acontece se você mata o animal e tenta vender a carne de forma a obter lucro quando seu investimento nessa mesma carne foi na ordem dos milhões.

    E eu ainda só estou levando em conta a lógica mercadológica de produção e consumo. Não levantei questões relacionadas ao equilíbrio ecológico dos mares que será afetado caso esses gigantescos animais sejam extintos e passem a existir só em alguns reservatórios artificiais. Enquanto a economia pesquisa somente a utilidade destes animais para o homem, a ecologia pesquisa suas funções no ecossistema. Que outras espécies podem ser afetadas pela sua extinção? Será que o número de tubarões não se tornaria excessivo, e isso não afetaria outras espécies relacionadas com eles na cadeia alimentar, que por sua vez afetariam outras espécies, e assim por diante, podendo levar a possíveis extinções em cadeia, bem como a instaurações de pragas nos oceanos, afetando, quem sabe, até mesmo a superfície, visto que os mares têm uma função importante para o equilíbrio de todo o globo?

    Assim como existem muitos ambientalistas que deixam de levar em considerações muitas variáveis (sendo a qualidade de vida dos homens uma delas) e propõem proibições que podem tornar-se um verdadeiro tiro pela culatra, há também aqueles que, depositando uma fé religiosa na lógica do mercado, desprezam fatores que, diretamente ou de ordem reflexa, podem influenciar negativamente a qualidade de vida do homem e, consequentemente, seu próprio ideal de progresso.

    Não generalize. "Os ambientalistas" é um termo muito amplo, que envolve um número muito grande de discursos, ideologias e propostas. Nem todos atacam o desenvolvimento tecnológico. Eu me considero um ambientalista e também acredito que a propriedade privada é mais útil que a pública para proteger os ecossistemas, bem como acredito que as melhores estratégias para diminuição dos problemas ambientais é através do fomento de tecnologias limpas, bem como à reciclagem, à logística reversa e outras boas ideias que dependem muito do progresso científico. Não boto tanta fé no modelo que visa a cercear o laissez-faire, mas creio que há ocasiões em que ele se faz necessário. Eu não sou 100% liberal como vocês, libertarianos, mas acredito que o liberalismo é mais benéfico ao homem que o socialismo. E eu não sou o único ambientalista a pensar assim.

    ResponderExcluir
  3. Como seria a criação delas? Como assim? Isso é uma pergunta muito ampla.
    Do mesmo jeito que fazem com bois. Não fazem marca na pele dos bois? Podem colocar rastreadores, e muito mais. Isso é uma pergunta quase aleatória, ao meu ver. É a criação de um animal como qualquer outro. Acha que um elefante come pouco? Veja o exemplo que dei logo em seguida!
    O que impede o Sea World de, além de aproveitar tudo isso das baleias, vender a carne deles? Ah, já sei! Tem ecochatos (eu evitei ao máximo usar esse termo no texto) que apoiam empresas e acabam consumindo produto delas por serem "empresas verdes". Se eles vendessem, iam acabar boicotados pelos ativistas.
    A extinção de um animal não muda em quase nada o mundo. Não sei se sabe, mas a quantidade de espécies extintas por ação humana não representam quase que absolutamente nada comparado ao número de espécies de seres extintas de forma natural. Não que a forma com que os homens acabam com alguns animais não seja, visto que muitas dessas extinções acontecem pela superioridade de outra espécie.
    O mercado se adapta a isso, como o gráfico que eu fiz (sim, eu fiz o gráfico) explica bem. Eu tenho um conhecido que, inclusive, quer publicar um artigo explicando matematicamente por que os recursos naturais são mais bem utilizados caso não haja interferência no desenvolvimento tecnológico.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A preocupação com a extinção dos animais não é uma exclusividade de correntes não antropocêntricas da ecologia. Ainda utilizando os mesmos parâmetros que utilizamos para valorizar o progresso e as ciências - o homem -, a preservação da biodiversidade mostra-se importantíssima para nós. Não é uma preocupação com o 'mundo', pois sabemos que uma hora ou outra tudo vai acabar, mas uma preocupação com nós mesmos, com um futuro de curto prazo. O ser humano não independe do meio em que vive, e conforme ele altera esse meio, sua vida pode melhorar ou piorar. Os impactos ambientais pioram de forma significativa a vida do homem. Como você disse, a extinção de um animal não muda em quase nada a história do mundo, e eu concordo com isso. A Terra já passou por catástrofes muito maiores que qualquer coisa que já vimos. Mas a extinção de um animal pode impactar nossa qualidade de vida. Não poder comer mais carne de baleia devido à sua extinção pode se tornar um não poder mais frequentar diversas praias onde a população de tubarões é controlada por essas mesmas baleias, e isso seria péssimo para o Brasil, por exemplo, que tem um dos maiores litorais do mundo e cujas praias atraem tantos turistas para aquecer nossos bolsos! Então não seria interessante para nós, brasileiros, tomarmos uma decisão coletiva em defesa da preservação de nosso litoral, já que lucramos tanto com o turismo?

      O exemplo das baleias não pode ser comparado de forma alguma com o dos elefantes, especialmente o estudo do Dr. de Michigan que você citou. É possível privatizar um parque ecológico, mas não é possível privatizar o mar. É perfeitamente possível, e esse é o melhor método, preservar a biodiversidade de um lugar quando ela pertence a alguém e a economia desse alguém depende de sua preservação. Mas a biodiversidade marinha é uma exceção. Não tem como mantê-la a não ser através de poder de polícia, pois ali não há terras (no sentido literal) a se vender, e não é possível ser proprietário de criaturas que se movem centenas de quilômetros todos os anos debaixo d'água, seguindo as correntes marítimas.

      Excluir
    2. Você sabia que as fezes da baleia são riquíssimas em nutrientes e servem de adubo para os fitoplânctons? Essa é outra utilidade das mesmas para o ecossistema. Essas algas, por sua vez, servem como base da cadeia alimentar marítima, alimentando diversos peixes e melhor ainda, elas são a fonte de cerca de 98% do oxigênio na atmosfera terrestre. Você acha que somos imunes a isso? Em que planeta vivemos?

      Excluir
    3. Ele independe, sim, enquanto houver desenvolvimento tecnológico. Peguemos como exemplo a Primeira Revolução Industrial: ela provavelmente foi o auge do consumo de recursos, e hoje os recursos estão sendo mais aproveitados, inclusive porque já não se tem vários. E eu repito, nesse exemplo das baleias, o que os empresários NÃO QUEREM é que a baleia pare de existir. O mar pode, sim ser privatizado, do mesmo jeito que existem propriedades em terra, podem existir propriedades no mar. Seria uma espécie de privatização dos recursos que pode-se tirar de lá, entende? Não a privatização do espaço em si.
      E eu repito, a extinção das baleias é algo que é desfavorável economicamente.

      Excluir
    4. "superioridade de outra espécie". Dá pra entender por que a teoria da evolução é tão rejeitada no Brasil: porque é ridiculamente mal ensinada. Lamentável.

      Excluir
    5. Superioridade de uma espécie sobre a outra significa capacidade de se adaptar ao meio, isso é óbvio, Gabriel.

      Excluir